Notícias. Escola de Formação “Agroecologia e Conflitos Ambientais em Perspectiva Feminista” (2026)

Foto: @Ana Nunes.

A Escola de Formação GENgiBRe “Agroecologia e Conflitos Ambientais em Perspectiva Feminista” foi realizada na Universidade Federal de Viçosa e no Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata, bem como nas comunidades de Carangolinha de Cima, no município de Divino, e Belisário, no município de Muriaé (Minas Gerais, Brasil), entre os dias 22 e 26 de abril de 2026.

Inserida na continuidade das ações e parcerias do projeto GENgiBRe, a Escola foi organizada em torno de três objetivos:

  1. Co-construir conhecimentos em agroecologia;
  2. Compreender a agroecologia em uma perspectiva feminista;
  3. Relacionar agroecologia e conflitos ambientais.

A Escola teve como objetivo compartilhar os aprendizados do projeto GENgiBRe em torno desses três eixos, bem como ampliar os conhecimentos por meio de novos diálogos entre territórios. Além da Zona da Mata mineira e do Vale do Ribeira (SP), que ocupam lugar central no projeto GENgiBRe, a Escola reuniu diversas atrizes sociais do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Mucuri e de Governador Valadares, em Minas Gerais, bem como dos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, além da França.

A iniciativa reuniu estudantes, professoras e professores, agricultoras e agricultores, bem como pessoas envolvidas nos movimentos agroecológico e feminista.

A apresentação detalhada da Escola está disponível aqui.

Um relatório será publicado em breve.

Tese. Sementes de esperança: militâncias-educadoras de mulheres do campo e a produção de territorialidades de vida e resistências na Zona da Mata mineira

Por Alessandra Bernardes Faria Campos

Campos, Alessandra Bernardes Faria. Sementes de esperança: militâncias-educadoras de mulheres do campo e a produção de territorialidades de vida e resistências na Zona da Mata mineira. Universidade Federal de Ouro Preto, Departamento de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, dezembro 2023. Orientador: Prof. Dr. Marco Antônio Torres. Coorientadora: Profa. Dra. Bárbara Bruna Moreira Ramalho.

Tese associada ao projeto GENgiBRe.

Esta tese apresenta os percursos e resultados de uma tese de doutorado, que tem como objeto de análise as relações entre mulheres do campo, Educação Popular e anticolonialidade. Operando com uma concepção de educação que não se restringe à educação escolar, mas que se estende à produção de formas de estar sendo no mundo e de produção de cosmopercepções, nos perguntamos sobre o papel, a natureza e os sentidos educativos da presença e atuação de mulheres nas lutas populares. Direcionando nossas sensibilidades interpretativas para a presença e a práxis educadora de mulheres de três frentes de luta: o projeto GENgiBRe, a Rede SAPOQUI – Rede de Saberes dos Povos Quilombolas da Zona da Mata e a Comissão Regional de Enfretamento à Mineração da Serra do Brigadeiro/Puri. O objetivo do estudo é compreender de que maneira as mulheres denunciam e tensionam as colonialidades no campo da Zona da Mata mineira, inclusive presentes nas lutas populares na região, anunciando percepções, posicionamentos e alternativas anticoloniais. Em termos teórico-político-metodológico, nos amparamos em referenciais delimitados como anticoloniais, como obras, reflexões e ações balizados pelos processos desencadeados pela colonização, perpetuados pela colonialidade nos territórios conquistados. Aqui estão presentes autoras e autores do pensamento decolonial, bem como referências das abordagens descoloniais e contracolonial. Também dialogamos com o campo das epistemologias feministas, em sua multiplicidade, como os feminismos subalternos e decoloniais/ descoloniais, os feminismos negros e os feminismos críticos. Soma-se à essas referências, leituras que debatem Educação Popular. Com estas autoras e autores, refletimos sobre educação e colonialidade, desigualdades e violências de gênero, racismo, eurocentrismo e epistemicídio, bem como sobre resistências e produção de alternativas protagonizadas pelas mulheres. Com referência na Pesquisa Participante, acompanhamos a ação militante de cinco mulheres, lançando percepções sobre tais ações, estas registradas em cadernos de campo, partilhados com elas, os quais nomeamos Relatos Compartilhados. Além disso, realizamos entrevistas narrativas no formato de Rio da Vida. Como resultados de pesquisa, em diálogo com os debates no campo dos Movimentos Sociais e Educação, formulamos a categoria militante-educadora, compreendendo a militância como produtora de processos educativos. Também foi possível afirmar a presença protagonista e particular das mulheres nas lutas sociais do campo da região na qual atuam, identificando percepções, produzidas socialmente, que marcam sua presença no mundo e sua ação militante. O corpo, o cuidado, a afetividade, a solidariedade aparecem como constitutivas do fazer militante-educador dessas mulheres, expressos tanto nas relações interpessoais, quanto nos instrumentos que produzem no contexto das lutas populares. A partir dessa pesquisa foi possível identificar elementos que ajudam a perceber a forma dinâmica e sensível, mas também contraditória, com que se (re)cria a Educação Popular em contextos colonizados. Em especial, afirma o papel protagonista e central das mulheres na defesa e na produção dos territórios autodeterminados pelos coletivos populares do campo, numa perspectiva popular, anticapitalista, feminista e antirracista.