Multimídia / notícias

Noticias do campo – Outubro 2021

Nossa pesquisação começou com coletivos de mulheres agricultoras agroecológicas em Barra do Turvo, Itaoca e Peruíbe no Vale do Ribeira (SP) e em Simonésia, Divino e Acaiaca na Zona da Mata (MG). Durante esta primeira fase de campo, um objetivo importante foi o de colocar em prática e ajustar nossa metodologia.

Etnomapeamento

No nível das agricultoras, nossa metodologia visa compreender a relação com a natureza, construída através das práticas agrícolas, da valorização da produção e da participação política. Para isso, realizamos junto com cada agricultora, uma caminhada pelos seus espaços de vida e trabalho e, em seguida, um desenho deste espaço é feito por ela. Inspirado tanto nos estudos feministas quanto nas etnociências, este desenho ou “Etnomapeamento” representa os conhecimentos e a diversidade agrícola, assim como os fluxos econômicos e ecológicos, a divisão sexual do trabalho e a organização do espaço em função do gênero. Ele proporciona uma base para cruzar as dimensões materiais e subjetivas da relação com a natureza, com a das desigualdades de gênero e as condições de autonomia das agricultoras.

Etnomapeamento. Detalhe do espaço manejado por uma agricultora

Em nível coletivo, nossa metodologia se baseia em três instrumentos complementares para representar os conflitos e as mobilizações socioambientais presentes na vida das agricultoras: uma Cartografia Socioambiental Feminista, focalizando a forma como esses processos são percebidos por elas no espaço ; um mapa “Corpo-Território”, que especifica como esses processos são sentidos e analisados diariamente, a partir da dimensão do corpo; e um “Rio da Vida” do território, que reconstrói as trajetórias pessoais e coletivas ao longo do tempo. Ao combinar os aprendizados dos estudos feministas, por um lado, e da economia e da ecologia políticas, por outro, estas ferramentas permitem visualizar os diversos conhecimentos das agricultoras sobre conflitos socioambientais, agroecologia e outras formas de mobilização socioambiental que configuram seu território.

Mapa corpo-território
Rio da Vida do Território

Estas ferramentas inovadoras de produção de conhecimentos, combinadas com métodos clássicos de coleta de dados através de entrevistas, observação e coleta documental, evidenciam as ligações existentes entre agroecologia, relação com a natureza, mobilizações socioambientais e discriminação com base no gênero e nas outras relações de poder. Como pesquisação, o projeto GENgiBre visa contribuir para denunciar as desigualdades e transformar situações de exploração socioambiental. Esta contribuição para a mudança social se baseia em vários processos: a criação de espaços e tempos para a produção de conhecimentos com agricultoras; as parcerias com organizações dos movimentos agroecológico e feminista; e reflexões e debates mais amplos nos municípios envolvidos e em determinados espaços da sociedade civil e da Universidade.

Intercambio Agricultura familiar Semeando Resistência. Mineração aqui não!

Fotos: arquivo GENgiBRe.

Isabelle Hillenkamp
| 19 nov 2021